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Escola Sebrae inaugura unidade em Boa Vista com foco na educação empreendedora

Escola Sebrae inaugura unidade em Boa Vista com foco na educação empreendedora

Formação prática prepara jovens para transformar realidades sociais, econômicas e ambientais em Roraima / Foto: Ascom/Sebrae/RR /

A partir desta quata-feira (6), Roraima passa a contar com uma nova aliada na formação de jovens protagonistas. A Escola Sebrae inaugura sua unidade em Boa Vista com uma proposta ousada: promover uma educação empreendedora com impacto social, capaz de transformar pessoas e ambientes.

O projeto é fruto de uma articulação entre o Sebrae Roraima, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto, a Secretaria de Planejamento e Orçamento, o Governo do Estado e o deputado Marcos Jorge, unindo forças em torno da inovação na educação pública.

Mais do que conteúdos acadêmicos, a Escola Sebrae traz uma proposta de ensino baseada no desenvolvimento de competências como gestão, inovação, criatividade e protagonismo. Tudo isso alinhado aos quatro pilares da educação definidos pela UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

A unidade chega com um propósito claro: contribuir para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da ONU, que propõe garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todos até 2030. O foco é preparar jovens não apenas para o mercado, mas para a vida — formando cidadãos críticos, comprometidos com o desenvolvimento sustentável.

Esse conceito de educação transformadora, que integra o currículo escolar às vivências e valores do cotidiano, é reconhecido como central pela Organização das Nações Unidas. Em sua resolução 72/222 (2017), a Assembleia Geral reafirmou o papel da UNESCO como líder global na Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), reconhecendo a EDS como um pilar essencial para o cumprimento de todos os demais ODS.

A EDS propõe uma formação que vai além das questões ambientais. Envolve um aprendizado contínuo ao longo da vida, com equidade, inclusão e qualidade. Promove a capacidade de tomar decisões conscientes, agir coletivamente e transformar políticas, práticas e mentalidades. Envolve aspectos cognitivos, socioemocionais e comportamentais, além de considerar o ambiente, os conteúdos, os processos e os resultados da aprendizagem.

Na Ibero-América, esse movimento por uma educação voltada à sustentabilidade vem ganhando força nos últimos anos. Países como Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, México e Panamá já incorporam, gradualmente, temas como meio ambiente e cidadania responsável em seus currículos escolares. Isso reflete uma mudança de mentalidade: formar jovens mais conscientes e engajados com as transformações que o mundo precisa.

Duas redes têm fortalecido esse avanço: a Rede Global EDS 2030, criada pela UNESCO para conectar líderes e instituições de todo o mundo em torno da educação sustentável; e a Rede Ibero-Americana de Inovação Educacional, que promove a troca de experiências entre países da região, com apoio da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e do governo da Espanha.

Essas redes permitem alinhar políticas, compartilhar boas práticas e construir caminhos conjuntos rumo a um futuro mais sustentável.

No Brasil, mais de 5 milhões de alunos já passaram pelos programas educacionais do Sebrae. Entre os destaques está o Empretec, metodologia da ONU aplicada no país desde 1993, que já capacitou mais de 300 mil pessoas e tem aprovação de 89% dos participantes. Mais de 80% deles abriram negócios após o curso.

Dados internos do Sebrae mostram que cerca de 70% dos participantes de iniciativas como o Empretec e o Jovem Empreendedor implementam mudanças reais em suas trajetórias profissionais ou nos negócios logo após a formação.

Esses programas fortalecem o crescimento das micro e pequenas empresas, que hoje representam 27% do PIB nacional, empregam 52% da força de trabalho formal e respondem por 40% da massa salarial do Brasil.

Segundo o estudo “Empreendedorismo no Brasil 2023”, com base no Monitoramento Global do Empreendedorismo (GEM), 48 milhões de brasileiros sonham em empreender. Mais da metade dos que já começaram um negócio o fizeram por oportunidade, e não por necessidade.

Se esse potencial for concretizado, o Brasil pode dobrar, em até cinco anos, o número de empreendedores, gerando impactos expressivos na economia e na inclusão social. Para o economista Marco Aurélio Bedê, da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae Nacional, o empreendedorismo é uma das grandes chaves para o desenvolvimento do país.

"Se conseguirmos transformar essas pessoas que desejam empreender em empresárias de fato, estaremos promovendo uma inclusão social fantástica. Vamos inserir na economia pessoas de baixa renda, melhorar a autoestima de quem tem baixa escolaridade e dar protagonismo a grupos como pretos, pardos, mulheres e jovens — todos merecem mais espaço e oportunidade", afirma Bedê.

A nova Escola Sebrae em Boa Vista chega nesse contexto: como parte de uma estratégia para fortalecer o ecossistema regional e fomentar o empreendedorismo desde a juventude.

Ao oferecer uma formação prática, conectada à realidade e com alto potencial de transformação, a unidade busca reduzir um dos grandes desafios do empreendedorismo no Brasil: a alta taxa de mortalidade das empresas. Hoje, quase 30% das empresas fecham as portas em até seis anos.

Mais do que formar empreendedores, a proposta é cultivar líderes preparados para transformar o ambiente em que vivem. Educação empreendedora é isso: uma semente de mudança que germina dentro e fora da sala de aula.

FONTE: AGÊNCIA SEBRAE
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