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Especialista alerta para as graves consequências da falta de acompanhamento adequado para crianças com dislexia

Especialista alerta para as graves consequências da falta de acompanhamento adequado para crianças com dislexia

Professora Jessick Custódio: “A dislexia é marcada por dificuldades significativas e persistentes na leitura de palavras, na fluência e na precisão de decodificação, além de problemas com a ortografia” / Foto: Divulgação /

No Dia Nacional de Atenção à Dislexia, 16 de novembro, um alerta se faz necessário: é preciso entender o que é o transtorno para combater o estigma e garantir os direitos de milhares de pessoas. Caracterizada como um Transtorno Específico de Aprendizagem de origem neurobiológica, “a dislexia é marcada por dificuldades significativas e persistentes na leitura de palavras, na fluência e na precisão de decodificação, além de problemas com a ortografia”. A explicação é da professora Jessick Custódio, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio.

“Essas dificuldades são inesperadas para a idade e para o nível intelectual do indivíduo. O principal fator é um déficit no componente fonológico da linguagem, ou seja, na capacidade de processar os sons da fala”, completa Jéssick.

A professora destaca que é essencial diferenciar uma dificuldade temporária de um transtorno. “A dificuldade de aprendizagem pode ser superada quando o estudante recebe o ensino adequado. Já no Transtorno de Aprendizagem, mesmo com ensino apropriado, a pessoa continua sem compreender o significado das palavras”, afirma. 

Segundo ela, crianças com dislexia costumam tentar adivinhar palavras durante a leitura, pois não conseguem realizar a decodificação, “ou seja produzir o som que as palavras possuem, já que o nome da letra e o som que ela possui são diferentes”. “Portanto, a identificação precoce do transtorno visa garantir direitos, já que o elemento chave é assegurar que as escolas e instituições ofereçam as adaptações pedagógicas e o suporte necessários, conforme previsto em lei”, ressalta.

Jéssick reforça que o diagnóstico da dislexia deve ser multidisciplinar para garantir precisão. O psicólogo, nesse processo, avalia aspectos como consciência fonológica, memória de trabalho e velocidade de processamento, além de descartar outras condições, como deficiência intelectual ou comorbidades, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Além das dificuldades de aprendizagem, a dislexia pode afetar o desenvolvimento emocional. “Questões como baixa autoestima, ansiedade, frustração, dificuldades de comunicação e baixa autoeficácia são muito comuns. O acompanhamento psicológico é fundamental para fortalecer o repertório emocional da criança e ajudá-la a se desenvolver adequadamente”, destaca.

A ausência de diagnóstico e acompanhamento podem ter consequências graves da infância até a vida adulta. “Entre elas, está a dificuldade de aprendizado em outras disciplinas que dependem da leitura como História e Ciências, levando a um círculo vicioso de fracassos. O aluno pode desenvolver aversão à escola, usando mecanismos de fuga, como faltar às aulas ou simular doenças para evitar situações de exposição”, explica. 

Paralelo a essas dificuldades, podem surgir crises de ansiedade, depressão, Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e uma baixa autoestima crônica, por se sentir incapaz. “E tudo isso no longo prazo, a dificuldade de leitura e escrita, podem restringir a escolha de carreira e as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional”, ressalta.

Jéssick destaca que pesquisas atuais vêm investigando a relação entre dislexia e outras comorbidades, além do desenvolvimento de novas tecnologias que auxiliam na identificação precoce do transtorno. “Intervenções fônicas intensivas e adequadas são capazes de reorganizar as áreas cerebrais envolvidas na leitura, ativando as rotas neuronais corretas. E as pesquisas atuais estão analisando a correlação entre a dislexia e outras comorbidades como o TDAH.

A professora também chama atenção para métodos de intervenção com resultados comprovados. Ela, por exemplo, desenvolveu um estudo sobre intervenções multissensoriais, disponível na internet, que ressalta a importância do uso de estímulos sensoriais no aprendizado de estudantes disléxicos. “Quanto mais cedo a identificação e a intervenção, melhores serão os resultados acadêmicos, emocionais e sociais para a criança. A atenção à dislexia é também uma questão de garantia de direitos”, conclui a professora.

ALEXSANDRA SAMPAIO
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