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Polícia Civil indicia cinco homens por esquema de empréstimos fraudulentos com prejuízo superior a R$ 2 milhões

Publicada em: 22/08/2026 16:34 -

Foram identificadas 42 associações suspeitas, seguindo um padrão semelhante de atuação do grupo criminoso / Foto: Ascom/PCRR /

A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio do 1º DP (Distrito Policial), concluiu uma investigação que resultou no indiciamento de cinco pessoas pelos crimes de estelionato e organização criminosa. Conforme a apuração, o grupo utilizava documentos de terceiros para contratar empréstimos e direcionar os valores para contas bancárias indicadas pelos investigados, gerando prejuízo superior a R$ 2 milhões à COOPERFORTE (Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo de Funcionários de Instituições Financeiras Públicas Federais Ltda.).

Segundo a delegada titular do 1º DP, responsável pela investigação, Jéssica Muniz, foram indiciados M.S.S., de 28 anos; G.M.F.F., de 29; W.S., de 26; J.S.B., de 30 anos; e F.S.B., de 39 anos. Ao todo, foram identificadas 42 associações suspeitas, seguindo um padrão semelhante de atuação, com contratação de empréstimos posteriormente inadimplidos. O trabalho investigativo permitiu identificar a forma de atuação do grupo e a divisão de tarefas entre os envolvidos.

“Conseguimos identificar um padrão de atuação, a participação de diferentes pessoas e a movimentação dos valores. A investigação foi concluída e encaminhada à Justiça com os elementos reunidos durante a apuração”, destacou a delegada.

Como funcionava o esquema

De acordo com delegada, as investigações apontam que os envolvidos abordavam pessoas interessadas em obter empréstimos bancários, inclusive aquelas sem comprovação de renda. Para viabilizar as operações, eram solicitados documentos pessoais, comprovantes de residência e fotografias, além da realização de reconhecimento facial por meio de aplicativo.

Com esses dados, eram contratados empréstimos em valores superiores aos inicialmente informados aos titulares das contas. Após a liberação dos recursos, as pessoas recebiam aproximadamente R$ 5 mil e eram orientadas a transferir o restante para contas bancárias indicadas pelos integrantes do grupo.

Durante a apuração, M.S.S. foi apontado como um dos principais articuladores da dinâmica investigada. Segundo depoimentos reunidos no inquérito, ele seria responsável por coletar documentos, orientar a abertura ou utilização de contas bancárias, acompanhar operações e indicar as contas que receberiam os valores provenientes dos empréstimos.

G.M.F.F. admitiu ter indicado M.S.S. a diversos titulares de contas, mas afirmou, em depoimento, que acreditava que os valores movimentados eram provenientes de atividades relacionadas ao garimpo.

F.S.B. foi apontado como responsável pela captação de pessoas e pela intermediação dos procedimentos para contratação dos empréstimos. Conforme os depoimentos, ele teria acompanhado pessoas até agências bancárias, coletado documentos e orientado as transferências após a liberação dos valores.

J.S.B. aparece na investigação como destinatário recorrente de recursos. Uma conta bancária, mantida em instituição financeira digital, foi identificada em seu nome. Testemunhas também relataram a participação dele na captação de pessoas e na coleta de documentos.

Já W.S. teria indicado familiares para participar da captação de pessoas e também aparece como titular de uma conta que recebeu valores transferidos após a liberação dos empréstimos.

Indícios de atuação organizada

Além do estelionato, a investigação reuniu elementos que, segundo a delegada, indicam a possível existência de uma organização criminosa, considerando a repetição do método de atuação, a participação de cinco pessoas e a divisão de funções identificada durante a apuração.

Conforme os elementos reunidos no inquérito, M.S.S. atuaria principalmente na operacionalização das contratações e orientação das transferências; G.M.F.F. e F.S.B. na captação e intermediação; J.S.B. como destinatário de recursos e também na captação de participantes; e W.S. na indicação de pessoas e no recebimento de valores.

Com a conclusão da investigação, a delegada informou que o inquérito policial foi finalizado no âmbito da Polícia Civil e encaminhado nesta sexta-feira , 21, à 3ª Vara Criminal da Comarca de Boa Vista. O caso agora aguarda manifestação do MPRR (Ministério Público do Estado de Roraima) e as demais providências do Poder Judiciário.

DA REDAÇÃO

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