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ELEIÇÕES 2026: Antes de votar, o eleitor precisa conhecer o passado de seus candidatos

Levantamento sobre as eleições de 2026 mostra que candidatos podem chegar às urnas com diferentes tipos de pendências, investigações, processos e decisões judiciais / Foto: Divulgação /

ELEIÇÕES 2026: Antes de votar, o eleitor precisa conhecer o passado de seus candidatos

Com a campanha eleitoral de 2026 em andamento, o eleitor brasileiro tem pela frente uma tarefa que vai muito além de escolher entre propostas, discursos e promessas. Conhecer o passado dos candidatos, verificar sua trajetória política e profissional e saber se seus nomes já estiveram envolvidos em investigações, processos ou decisões judiciais pode ser fundamental para uma escolha consciente.

Um levantamento envolvendo candidatos que disputam os diferentes cargos em Roraima, por exemplo, mostra situações bastante distintas. Menor colégio eleitoral do país, obviamente que Roraima apenas reflete uma pequena parcela do que acontece nos demais estados brasileiros e o Distrito Federal. Há candidatos que já tiveram mandatos cassados pela Justiça Eleitoral, outros que foram condenados por crimes eleitorais, além de casos envolvendo improbidade administrativa, suspeitas de desvio de recursos públicos, investigações policiais e acusações de crimes comuns.

Também existem situações em que o candidato foi investigado, preso ou denunciado, mas posteriormente teve a ação penal arquivada ou trancada pela Justiça. Em outros casos, decisões judiciais ainda estão sendo contestadas por meio de recursos.

Essa diferença é importante. Ser investigado não significa ser culpado. Ser denunciado também não equivale a uma condenação. Da mesma forma, uma condenação pode estar sujeita a recurso e produzir consequências eleitorais diferentes conforme o caso concreto.

Por isso, a recomendação ao eleitor é não se limitar a manchetes ou publicações nas redes sociais. É preciso verificar o que efetivamente aconteceu em cada caso e qual é a situação jurídica atual do candidato.

Diferentes níveis de problemas

Entre os casos identificados no cenário eleitoral de Roraima estão situações envolvendo compra de votos e abuso de poder político ou econômico, algumas delas resultando em cassação de mandato ou outras sanções eleitorais.

Também aparecem candidatos que tiveram seus nomes relacionados a investigações da Polícia Federal e de outros órgãos de segurança pública, inclusive em apurações envolvendo suspeitas de utilização de recursos ilícitos, financiamento de campanhas, tráfico de drogas ou outras práticas criminosas.

Há ainda candidatos atingidos por decisões relacionadas a improbidade administrativa, especialmente processos envolvendo a utilização ou administração irregular de recursos públicos.

Em determinados casos, a situação chegou a impedir o registro da candidatura. Em outros, apesar do histórico judicial, o candidato conseguiu obter o registro e permanece na disputa porque a legislação e as decisões judiciais não determinaram sua inelegibilidade.

Há, portanto, uma diferença fundamental entre ter um problema judicial e estar juridicamente impedido de disputar uma eleição.

O eleitor precisa conhecer essa diferença para não ser enganado por informações incompletas — tanto por quem tenta esconder o passado de um candidato quanto por quem pretende transformar uma investigação sem condenação em uma condenação definitiva.

Crimes contra mulheres também devem ser considerados

A pesquisa sobre a vida pregressa dos candidatos não deve se restringir aos processos eleitorais.

O eleitor também pode procurar informações sobre eventuais acusações ou condenações relacionadas à violência doméstica, violência patrimonial ou psicológica contra mulheres e, especialmente, denúncias e processos relacionados à violência sexual contra mulheres, crianças e adolescentes.

Não se trata de substituir a Justiça ou antecipar condenações. Trata-se de conhecer o histórico de quem pretende ocupar uma função pública e exercer poder de decisão sobre políticas que atingem milhões de pessoas.

Um candidato que responde ou respondeu a acusações dessa natureza merece, no mínimo, que o eleitor conheça os fatos, consulte fontes confiáveis e verifique se houve investigação, denúncia, condenação, absolvição, arquivamento ou qualquer outra decisão judicial.

Atenção ao crime organizado e aos crimes ambientais

Outro aspecto que merece atenção é eventual envolvimento de candidatos com organizações criminosas ou grupos investigados por atividades ilícitas.

Da mesma forma, o eleitor pode pesquisar o histórico dos candidatos em relação a crimes ambientais, especialmente quando houver denúncias ou processos relacionados à exploração ilegal de recursos naturais, garimpo clandestino, desmatamento ou outros crimes contra o patrimônio ambiental.

Nesse contexto, também é legítimo conhecer a posição política de cada candidato sobre a exploração de minerais em terras indígenas e outras questões ambientais sensíveis.

Defender determinado modelo de exploração mineral, por si só, não constitui crime. O eleitor, entretanto, tem o direito de saber quais interesses econômicos o candidato defende, quais propostas apresenta para essas áreas e se existe histórico de envolvimento com atividades ilegais relacionadas à exploração dos recursos naturais.

Pesquisa é uma ferramenta de cidadania

Antes de votar, o eleitor pode consultar o DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, para verificar informações oficiais sobre os candidatos, como registro da candidatura, partido, declaração de bens e prestação de contas. É comum, por exemplo, candidatos informarem possuir bens muito aquém da realidade, enquanto outros declaram possuir nenhum patrimônio. Candidato que mente sobre seu patrimônio está escondendo alguma coisa errada ou simplmesmente tem o hábito de sonegar impostos.

Também é recomendável consultar os portais do Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal Superior Eleitoral, Ministério Público, Polícia Federal e tribunais de Justiça, além de veículos jornalísticos reconhecidos.

Uma pesquisa simples pelo nome completo do candidato pode revelar entrevistas antigas, processos, decisões judiciais, investigações, condenações e outros episódios que ajudam a compreender melhor sua trajetória.

Mas é importante verificar a fonte. Capturas de tela, vídeos recortados, mensagens de WhatsApp e publicações em redes sociais não devem ser tratados automaticamente como prova de qualquer acusação.

A melhor prática é procurar a informação original e conferir sua atualização.

O voto é uma escolha sobre quem terá poder

O eleitor não escolhe apenas uma pessoa. Ao votar, escolhe quem poderá administrar bilhões de reais, participar da elaboração de leis, fiscalizar o dinheiro público, nomear autoridades e tomar decisões que afetam diretamente a vida da população.

Por isso, conhecer o passado do candidato é tão importante quanto conhecer suas promessas para o futuro.

Antes de apertar o botão "confirma", o eleitor deveria fazer algumas perguntas básicas: Esse candidato já foi condenado? Já teve mandato cassado? Já respondeu a processos? Já foi investigado? Já foi denunciado por algum crime? Houve arquivamento ou absolvição? Como ele trata o dinheiro público? Qual é seu histórico político? Quais grupos econômicos e políticos o apoiam? Como se posiciona diante de questões ambientais e sociais?

Não existe voto verdadeiramente consciente sem informação.

Comprar e vender voto também é crime

E existe ainda um ponto que precisa ser lembrado durante toda a campanha: corrupção eleitoral não envolve apenas quem oferece dinheiro ou vantagem em troca do voto.

O Ministério Público Eleitoral alerta que a compra de votos é considerada crime de corrupção eleitoral, previsto no art. 299 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965).

No âmbito dos crimes eleitorais, a legislação considera criminoso quem compra e quem vende o voto, com pena de até quatro anos de prisão, além de multa. Isso vale para qualquer período, mesmo que a oferta tenha sido feita em ano que não tem eleição

Ou seja, o eleitor que aceita dinheiro, benefício, material, emprego, favor ou qualquer outra vantagem em troca de seu voto também pode responder criminalmente.

A democracia não se fortalece apenas quando candidatos honestos são escolhidos. Ela também depende de eleitores conscientes, que não transformam o próprio voto em mercadoria.

Pesquisar, comparar, questionar e votar com responsabilidade são atitudes que ajudam a proteger não apenas o voto individual, mas a própria democracia.

Eu não voto em político enrolado com a polícia ou com a justiça, tenha sido condenado ou não. E você?

WIRISMAR RAMOS - da Redação (e-mail: opinativa.net@gmail.com)

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