EM CARACARAÍ: Polícia Civil identifica traumatismo craniano como causa da morte de criança
Pai e madrasta são os principais suspeitos do crime de homicídio qualificado e permanecem presos / Foto: Ascom/PCRR /
A PCRR (Polícia Civil de Roraima), por meio da Delegacia de Polícia de Caracaraí, passou a investigar como homicídio qualificado a morte da criança Alisson Ruan Terto da Silva, de 1 ano e 2 meses, ocorrida na terça-feira (22), em Caracaraí. O laudo médico-legal apontou duas graves lesões na cabeça, tendo o traumatismo craniano como causa determinante da morte. O pai, R.T.S., de 29 anos, e a madrasta, A.J.B.F., de 18 anos, são os principais suspeitos do crime e permanecem presos.
De acordo com a delegada Ariane Zanette, responsável pela investigação em Caracaraí, o resultado do exame médico-legal modificou a linha inicial da investigação. Além das duas graves lesões na cabeça, que determinaram a morte, o laudo identificou lesões na traqueia, no fígado, no tórax, nas pernas e na região íntima da criança.
Os exames também apontaram que as lesões apresentavam diferentes períodos de evolução. Algumas eram recentes, enquanto outras já estavam em processo de cicatrização. Foram identificadas ainda marcas de unhas em diferentes partes do corpo da criança, inclusive na região genital.
“Temos lesões recentes e outras mais antigas, algumas já em processo de cicatrização. O laudo aponta duas graves lesões na cabeça, que foram determinantes para a morte. As demais lesões também estão sendo analisadas dentro do contexto da investigação”, destacou a delegada Ariane Zanette.
A delegada explicou que a lesão na cabeça apontada como causa determinante da morte é compatível com o horário informado nos autos sobre o momento em que a criança teria apresentado os primeiros sinais de que não estava respirando. A informação será confrontada com os demais elementos reunidos durante a investigação.
Diante dos resultados periciais, a delegada alterou a tipificação inicialmente atribuída ao caso. O pai e a madrasta, que haviam sido presos em flagrante inicialmente pelo crime de maus-tratos com resultado morte, passaram a ser investigados por homicídio qualificado pelo meio cruel, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos, conforme o enquadramento informado pela delegada, além das circunstâncias relacionadas à condição dos investigados em relação à criança.
A delegada também apura a possibilidade de ocorrência do crime de tortura, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 9.455/1997, diante do conjunto de lesões identificadas no corpo da criança. A hipótese ainda está sendo investigada.
O caso começou a ser apurado depois que a criança foi levada pelo casal ao Posto de Saúde Nilza da Silva Souza, em Caracaraí, já sem vida. A equipe da unidade acionou a Polícia Militar, que registrou a ocorrência e apresentou o relatório na Delegacia de Polícia de Caracaraí. A partir das informações recebidas, a equipe da Polícia Civil iniciou as diligências que levaram à prisão em flagrante do pai e da madrasta.
Inicialmente, durante os interrogatórios, os dois negaram qualquer participação na morte da criança e afirmaram não saber explicar o que teria acontecido. Com a conclusão do exame médico-legal e a identificação da causa determinante da morte, a investigação passou a considerar os novos elementos para esclarecer a dinâmica dos fatos e a responsabilidade dos envolvidos.
A delegada Ariane Zanette ressaltou que a investigação continua para identificar quando, como e em quais circunstâncias as diferentes lesões foram provocadas.
“Agora, com o resultado do laudo, temos elementos importantes para avançar na investigação. Precisamos analisar todas as lesões, os diferentes períodos em que foram produzidas e confrontar essas informações com os demais elementos já reunidos no procedimento”, afirmou.
Ainda segundo a delegada, a Polícia Civil continua realizando diligências para esclarecer integralmente a morte da criança e reunir todos os elementos necessários à responsabilização dos envolvidos. O casal segue preso na Delegacia de Caracaraí e a Audiência de Custódia está marcada para está quinta-feira (24).
DA REDAÇÃO




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